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Solidão no Idoso


Hoje em dia a vida desenrola-se a um ritmo frenético. Temos inúmeras rotinas que nos consomem grande parte do tempo útil de que dispomos. Na maior parte das vezes, na gestão desse tempo, acabamos por relegar para segundo plano aqueles que muito precisam de nós: os idosos.

Estudos levados a cabo pelos Investigadores do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS) comprovaram que 1 em cada 4 idosos se sente só. Alguns deles desenvolvem mesmo sintomatologia depressiva. Esta situação agravou-se com a pandemia e a necessidade de restringir ainda mais os contactos sociais. Os centros de dia suspenderam a sua actividade e a verdade é que para muitos dos nossos idosos este é o seu porto de abrigo. Representam ainda um bom suporte para as famílias evitando muitas vezes a institucionalização precoce dos idosos. Nestes locais, para além de terem vigilância e apoio para as suas actividades de vida diárias, têm também a possibilidade de encontrar os seus pares e reviver os tempos da sua idade mais jovem.

O processo de envelhecimento não é fácil. Os idosos têm de gerir inúmeras perdas. Talvez um dos maiores desafios que enfrentam seja o ajustarem-se às limitações que a idade lhes traz, tanto em termos de autonomia física como intelectual; a perda de capacidade para se gerirem, para serem auto-suficientes, o dependerem de terceiros. Sentirem que o poder de decisão sobre a sua vida lhes é retirado.

Talvez uma das melhores formas de colmatar esta situação e prevenir a solidão nos idosos seja o permitir-lhes que partilhem as suas memórias, fazer com que se sintam úteis, valorizar a sua opinião. O voluntariado assume um papel muito importante neste aspeto, uma vez que os voluntários que prestam apoio aos idosos estão disponíveis para eles, para realmente os ouvir e lhes dar atenção, para além de identificarem precocemente quadros de agravamento da solidão ou mesmo de instalação de sintomatologia depressiva, articulando cuidados com outras equipas sempre que necessário.

Autora
Isabel Amaro

Isabel Amaro tem uma licenciatura em enfermagem e uma pós-graduação em geriatria. Exerceu durante 10 anos em oncologia e neste momento trabalha na área da saúde mental.

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