Educação

Voluntariado, um altruísmo egoísta

O voluntariado é um exercício de cidadania, de solidariedade e contribui para a realização pessoal de quem o pratica. Definido como “um ato livre, gratuito e desinteressado, oferecido às pessoas, às organizações, à comunidade ou à sociedade” (Paré e Wavroch, 2002:11), o reconhecimento da importância da prática tem vindo crescer, note-se o estabelecimento do ano internacional do voluntariado (2001), o assinalar do dia internacional dos voluntários (05 de dezembro), bem como a criação de programas de voluntariado.

A Organização das Nações Unidas realça a importância do voluntariado pelo seu papel no “reforço da coesão social e económica, gerando capital social, promovendo a cidadania ativa, a solidariedade e uma forma de cultura que põe as pessoas em primeiro lugar”.

O voluntariado desempenha uma função muito importante no apoio ao estado, e às organizações do terceiro sector, que não conseguem dar resposta a todas as situações. É uma forma de participar na transformação social e um meio de participação cívica dos cidadãos, onde o indivíduo procura dar um contributo para tornar a sociedade melhor, mais inclusiva, mais igualitária, respeitando e agindo de acordo com os direitos de todos os seres. É uma prática que deve ser incentivada e impulsionada (tendo aqui a educação um papel fundamental) para que se torna parte integrante da cultura.

“Dar e receber
devia ser a nossa forma de viver”

  • António Variações

Faço voluntariado há vários anos, e recomendo! Faço-o com pessoas, faço-o com animais, faço-o por mim. Na minha opinião o voluntariado assenta na premissa dar e receber, tal como diz a canção do António Variações “dar e receber devia ser a nossa forma de viver”. Dou um pouco do meu tempo e da minha atenção e em troca recebo sorrisos e estima.

Voluntária do Projeto Velhos Amigos da ATLAS, na Marinha Grande.

As motivações para o voluntariado são também alvo de um crescente interesse por parte da comunidade académica que tem vindo a desenvolver vários estudos para compreender os motivos que levam os indivíduos a desenvolverem a atividade de voluntariado, e a permanecer na prática por longos períodos; bem como estudos de caraterização da prática do voluntariado (em Portugal – Delicado, 2002; Amaro et al, 2012; Serapioni, Ferreira e Lima, 2013). Os estudos sobre a motivação para o voluntariado são efetuados com base na aplicação de vários instrumentos, nomeadamente o inventário de funções do voluntario que identifica várias categorias: as pessoas tornam-se voluntárias para expressar os valores (altruísmo), para desenvolver habilidades /aprendizagem, por motivos relacionados a carreira (ganhar experiência profissional), para proteger o próprio self de sentimentos de culpa, para crescimento/desenvolvimento pessoal, pela possibilidade de socializar com outras pessoas.

Vários autores (Delicado, 2002; Cnaan e Goldberg-Glen, 1991) consideram que as motivações para o voluntariado tanto podem ser de carácter altruísta como de carácter egoísta, uma vez que a sua pratica contribui, pelas experiências vividas e partilhadas, para o crescimento pessoal. Importa também referir que diversos estudos realizados juntos de voluntários apontam para a perceção de benefícios como uma melhor saúde física e mental, bem como níveis elevados de bem-estar subjetivo.

Sê tambem voluntários na ATLAS – People Like Us. Sabe mais clicando aqui.

Autora
Cláudia Marinho
Socióloga, Investigadora Social em temas como migrações, juventude, delinquência juvenil. Voluntária na ATLAS, no Projeto Velhos Amigos.

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O mundo precisa de nós!

Olá, sou a Nicole Bohórquez tenho 20 anos e sou uma estudante Universitária do Equador. Há 3 anos lancei-me numa aventura para um dos melhores países do Mundo, Portugal.

Quando temos 17 anos ainda não sabemos muito bem o que queremos ser na vida, nem o que queremos estudar e muito menos onde; mas uma coisa é verdade, queremos sempre uma mudança, queremos trocar tudo aquilo que não gostávamos por coisas que nos apaixonam.

O Equador é um país maravilhoso: cheio de cultura, importantes patrimónios históricos e uma flora e fauna como nenhuma outra região no mundo; histórias que intrigam aos mais exigentes visitantes são contadas diariamente nos seus grandes centros coloniais. Quito, a cidade que me viu crescer e a antiga capital do império Inca como, alguns historiadores afirmam, foi contruída na metade do mundo sobre as montanhas da cordilheira dos Andes a mais de 2.850 metros sobre o nível do mar, e foi o lugar onde toda a minha família esperava saber qual ia ser o próximo episodio da minha vida. 

Quito, capital do Equador.

Mas para uma rapariga como eu, que estava à procura de novos desafios e expandir os seus conhecimentos mais além das fronteiras ,não me bastava ficar naquele belo lugar. Eu precisava de mais, precisava mesmo de levar a minha mala cheia de solidariedade a um país tão maravilhoso como o meu. A dúvida invadia todo o meu corpo, despertando o desejo de saber qual seria o meu destino.

Portugal é o País dos castelos medievais, aldeias de xisto, cidades cativantes e praias douradas, uma região que entrega ao mundo os mais sublimes pôr-do-sol que alguma vez já vi.  Desde a cidade dos Miradouros de Lisboa até à apaixonante cidade de Porto. O terceiro país mais seguro do mundo, uma região muito tranquila para se viver, os cidadãos mais antigos dizem que Portugal é o “cantinho do céu”; e como não acreditar nisto se cada dia da minha vida em Portugal tem sido uma bênção de Deus.

Eu sou das pessoas que acreditam em que a vida é uma aventura, e que temos de vivê-la como se cada dia fosse o último, sou uma rapariga que tem uma grande ligação com a sua família, mas o meu compromisso com o mundo vai mais longe. Nunca me vou esquecer da primeira vez que tive de me despedir da minha família no aeroporto Internacional de Quito, nunca antes tinha sentido tantas emoções ao mesmo tempo, era uma batalha intensa entre o entusiasmo de conhecer o meu destino e a tristeza de deixar para atrás os seres que mais amo no planeta.

 Só a partir daí reparas que tudo o que tinhas antes ou o que tinhas construído em toda a tua vida afastava-se pouco a pouco através da janela dum avião, mas depois de um suspiro começas a pensar em que tudo vai correr bem, e em que serás o orgulho de uma família inteira que sempre vai esperar o teu regresso.

Portugal recebeu-me de braços abertos, o clima era perfeito, o meu café era perfeito, Leiria era tão linda, tudo era espetacular. Não podia esperar para chegar ao meu quarto deixar as minhas coisas e sair para conhecer a nova cidade onde ia viver nos próximos 3 anos.

No início, o meu nível de português era o equivalente a um miúdo de 6 anos e, apesar disso, graças à boa vontade para ajudar- característica do povo português-, conseguia comunicar com algumas dificuldades, mas sempre transmitindo o meu objetivo.

Adorei imenso a gastronomia de Portugal!,- o bacalhau com natas, o bacalhau a Brás, o bacalhau espiritual-,… meu deus, nunca pensei que o bacalhau podia ser cozinhado de tantas maneiras e oxalá algum dia consiga experimentar todos os que existem.

Para quem vem da América Latina, continente que não testemunhou a época Medieval, a arquitetura das cidades europeias é uma verdadeira obra de arte e o ponto mais expressivo da bela cidade de Leiria sem dúvida é o seu castelo, de onde os visitantes podem apreciar as extensões territoriais de uma das mais peculiares cidades europeias.

Será que valia a pena ter deixado tudo para trás?

Os meus primeiros meses não podiam ter sido melhores, foi uma das melhores épocas que já passei, mas chegou um ponto que comecei a questionar as minhas próprias decisões, era este o caminho correto? era esta a vida que eu queria? Será que valia a pena ter deixado tudo para trás e começar do zero? tantas perguntas sem uma resposta clara nublavam na minha mente e afogavam as minhas ânsias de mover adiante.

Sim, é certo que vir para Portugal foi a melhor decisão que podia ter tomado, mas deixar o meu país foi o mais difícil de assimilar. Neste ponto da minha vida, onde quase nada fazia sentido, ganhei uma família, da qual vou estar sempre eternamente agradecida, pois com eles descobri a importância de valorizar a vida de uma pessoa tanto como a de milhões: Atlas, uma organização Portuguesa de Voluntariado, um raio de esperança no mundo e uma bênção para aqueles que mais precisam da colaboração da sociedade.

Graças a eles, reforcei o meu propósito de vida: “Fazer o bem sem olhar para quem”, e aos que chegaram até este ponto da história, quero dizer-vos que o mundo precisa de nós, não importa onde estejamos. Podemos fazer tanto só com o nosso sorriso e a vontade de fazer mais amena a vida daqueles que já desistiram de ser felizes.

Bootcamp de voluntários 2019, no qual a Nicole esteve presente.

Quero culminar com uma frase que toca a minha alma sempre que a oiço, e que sei que vai servir como motivo para te fazer sair da tua cadeira a abraçar todos aqueles que precisem do nosso carinho.   

Enquanto houver vida, haverá esperança!


Autora
Dayana Nicole Bohórquez Huertas
Estudante e Voluntária no Projeto Velhos Amigos

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Do Assistencialismo à Solidariedade

O meu nome é Hélia Carla Amado Rodrigues, nos últimos anos trabalhei nas áreas do acolhimento residencial de crianças e jovens em perigo e formação/ensino. Invisto de forma continua na minha capacidade de ser útil nos valores de – cooperação e solidariedade de reciprocidade – com o objetivo de me acrescentar na elasticidade/plasticidade cerebral nas diferentes dinâmicas sociais, sobretudo fora da minha zona de conforto. Procuro sair da minha moldura/caixa dos afazeres diários, contribuindo assim para o crescente da minha criatividade de soluções, onde possa ser significativa nas pequenas ações que espero terem impacto nos seus usuários/recetores. Escolhi doar tempo e solidarizar-me com a Atlas no seu projeto – Velhos Amigos.


Assistencialismo vs Solidariedade

Proponho neste parágrafo a reflexão breve entre – assistencialismo vs solidariedade, numa linha da distinção para a sua união, ou seja o assistencialismo com uma vertente moral caritativa da dádiva aos desvalidos (tratar dos pobrezinhos) para uma visão assente nos prismas da solidariedade de reciprocidade[1], a responsabilidade da ação voluntária com paridade de decisão, entre o dador e o recetor, desemboca na solidariedade.

Sendo assim, um voluntariado substantivo da condição humana nas diferentes dimensões inerentes[2], e, recusar a ação de voluntariado numa base no sentido único da dádiva do assistencialismo com uma dependência das políticas do estado ou do excedente da economia de mercado, emancipá-la para – aquela que promove e que não assiste só -, torna-la num contributo para as tomadas de decisões políticas com base no conhecimento da prática do fazer e do estar, para uma ação assertiva do e com o SER.

Importa sentir que não basta só dar mas envolver os recetores nas decisões, tornando-os assim os decisores com projeções para o e com futuro – agentes ativos da própria mudança.

45 frases de solidariedade que vão te ajudar a praticar esse ato

[1] Conceito de reciprocidade: dar sem esperar receber em troca; receber sem sentir a obrigação de dar em troca; e, trocar bens e serviços sem importância mercantil / lucro.

[2] Como a: social, sistémica, política, económica, ambiental, territorial, cultural, cognitiva, ética, entre outras


Autora
Helia Carla Amado
Educadora Social e voluntária do Projeto Velhos Amigos na Marinha Grande

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Dia Mundial da Justiça Social

O Dia Mundial da Justiça Social, comemorado desde 2009 a 20 de fevereiro, foi uma data proposta em 2007 pela Assembleia Geral das Nações Unidas, de acordo com a Resolução A/RES/62/10. O objetivo do Dia é promover esforços para enfrentar questões como a pobreza, o desemprego e a exclusão, tentando criar oportunidades para todos e combater as desigualdades no mundo.

Injustiças Sociais em 2021

Vivemos ainda num mundo marcado por várias e diversas injustiças sociais. Todos os dias, local e mundialmente, pessoas são excluídas socialmente pela sua história de vida, pelo género, pela raça, pela etnia, pela religião, pela doença e pela capacidade sócio-económica.

Em 2021 lidamos ainda com a pandemia Covid-19, que causou uma crise sem precedentes em todo o mundo. Estamos todos a viver os efeitos deste momento tão difícil na história. Porém, para uma grande parcela da população, a crise é vivenciada de forma ainda mais intensa e preocupante, devido às desigualdades sociais. Segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2020, 2,037 milhões de portugueses encontravam-se em risco de pobreza ou exclusão social. Na imagem seguinte percebemos que o risco de pobreza e exclusão social tem diminuido ao longo dos anos, ainda assim, 19,8% da população portuguesa encontra-se numa situação de extrema vulnerabilidade.

A luta pela Justiça Social

Quer seja a nível local, nacional ou internacional, pela sociedade civil organizada ou pelos governos, a luta pela justiça social é premente e leva-se a cabo, acima de tudo, através de uma:

  • Justiça Social preventiva: Aquela que garante políticas de informação, educação e capacitação para a igualdade.
  • Justiça Social interventiva: onde se integram as Políticas Sociais que permitem o (re)equilíbrio da pessoa na sociedade.

O papel do estado

A luta pela Justiça Social pode ser feita por todos nós (ver infográfico no fim da página) mas é de evidenciar o papel do Estado sendo que, de acordo com a Constituição da República Portuguesa, é dever do mesmo:

“b) Promover a justiça social, assegurar a igualdade de oportunidades e operar as necessárias correções das desigualdades na distribuição da riqueza e do rendimento, nomeadamente através da política fiscal;”

Artigo 81.º b) “Incumbências prioritárias do Estado” da Constituição da República Portuguesa

4. A tributação do consumo visa adaptar a estrutura do consumo à evolução das necessidades do desenvolvimento económico e da justiça social, devendo onerar os consumos de luxo.

Artigo 104.º “Impostos” da Constituição da República Portuguesa

O papel de cada um de nós

Partilhamos um infográfico do que cada um de nós, cidadãos e cidadãs, pode fazer.

Dia Mundial da Justiça Social – Infográfico ATLAS – People Like Us
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Depois de uma vida inteira a trabalhar, ir aprender?

Gosto de ditados populares e há dois que enquadram muito bem a Formação ao Longo da Vida: Nunca é tarde para aprender e Só custa começar. Durante a vida ativa, no decorrer das atividades profissionais, a formação é necessária para o desempenho de uma nova tarefa ou para conhecer um novo programa informático, por exemplo. Mas e depois? Depois de uma vida inteira a trabalhar… ir aprender?

Sim, a fase de vida da reforma tem tanto potencial!

A pessoa está mais disponível e pode investir o seu tempo no que já sabe que gosta e também em descobertas (com a tranquilidade de não ser avaliado, mas sim de propor a si próprio algo desafiante, que estimule as suas competências). As possibilidades de formação são muitas, a ver pela quantidade de Universidades Séniores no nosso país: workshops de pintura, de costura, de artesanato; aulas de História, de Línguas Estrangeiras, de Informática, de Instrumento Musical; etc..

Aprender algo novo, em qualquer idade, dá-nos a sensação de que somos mais capazes do que (talvez) pensávamos

Aprender algo novo fortalece a confiança nas nossas capacidades e isso reforça a nossa auto-estima. Esta experiência é ainda mais importante na fase de vida em que a pessoa pode sentir dúvida acerca das suas habilidades, porque já não as põe em prática no trabalho. Além disso, na ausência da rotina laboral, adquirem-se objetivos semanais ou mensais (como entregar uma pesquisa ou participar num concurso) que estruturam o dia-a-dia e estipulam compromissos agradáveis. Podemos ainda pensar do ponto de vista da ginástica que damos ao nosso cérebro: de cada vez que aprendemos algo novo são ativadas novas ligações entre os neurónios (esta ativação é um dos fatores de proteção contra o declínio do funcionamento mental).

No Projeto Velhos Amigos sa ATLAS são desenvolvidas competências digitais de forma dinâmica e com a colaboração dos voluntários.

Além destes benefícios, ainda há a mais-valia da formação ocorrer, quase sempre, no contexto de um grupo e a interação social que proporciona é fundamental para estabelecer ligações com outros e prevenir o isolamento social. Indo mais além, existem vários projetos em Universidades Séniores que promovem a interação com outras gerações (desde crianças do jardim-de-infância até aos estudantes do ensino superior).Neste formato, o estudante sénior ganha ainda reforço do seu papel na sociedade, é valorizado pelos seus saberes de experiência feitos.

Em Leiria, o Programa IPL60+, dinamizado pelo Instituto Politécnico de Leiria (IPL), é um excelente exemplo de intercâmbio com os jovens estudantes do ensino superior. Os alunos séniores frequentam unidades curriculares das licenciaturas, têm ao dispor unidades específicas do Programa 60+ (Inglês, TIC, Atividade Física) e podem ainda participar em projetos dinamizados no IPL como a rádio, o blogue, o jornal, a tuna. Quem diria? Participar na Tuna aos 70 anos! Viver e aprender!


Sofia Carruço
Psicóloga e Voluntária na Atlas – People Like Us

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Que direitos para as pessoas idosas?

O Dia Internacional dos Direitos Humanos é comemorado anualmente a 10 de dezembro, a data em que a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi adotada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1948. A Declaração é um documento importante que proclama os direitos inalienáveis das pessoas independentemente da sua raça, cor, religião, do sexo, idioma, da opinião política ou outra, origem nacional ou social, propriedade, do nascimento ou de outro estatuto.

O envelhecimento da população exigiu – e continua a exigir – uma adequada reflexão por parte de famílias, governantes e sociedade em geral e, colmatou em 1948 com a Declaração Universal dos Direitos do Homem a incluir no seu artigo 25.º a primeira referência aos direitos das pessoas idosas:

“Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar, principalmente quanto à alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários, e tem direito à segurança no desemprego, na doença, na invalidez, na viuvez, na velhice ou outros casos de perda de meios de subsistência por circunstâncias independentes da sua vontade.”

Universal Declaration of Human Rights

A proteção e a garantia do direito das pessoas idosas a uma vida com dignidade estão consagradas na Constituição da República, mas também na Declaração Universal dos Direitos Humanos, art.º 1.º e art.º 25.º e no recomendado pelos Princípios das Nações Unidas.

1. Direito à Participação

Independentemente da idade, qualquer indivíduo deve ter a possibilidade de:

  • Participar activamente na formulação e implementação de políticas que afetam diretamente o seu bem-estar e transmitir aos mais jovens conhecimentos e habilidades;
  • Aproveitar as oportunidades para prestar serviços à comunidade, trabalhando como voluntário, de acordo com seus interesses e capacidades;
  • Poder formar movimentos ou associações de idosos.

2. Direito à Saúde

Todos, incluindo os idosos, têm direito à protecção da saúde e o dever de a defender e promover. O direito à proteção da saúde é realizado:

  • Através de um serviço nacional de saúde universal e geral e, tendo em conta as condições económicas e sociais dos cidadãos, tendencialmente gratuito;
  • Pela criação de condições económicas, sociais, culturais e ambientais que garantam, designadamente, a proteção da infância, da juventude e da velhice, e pela melhoria sistemática das condições de vida e de trabalho, bem como pela promoção da cultura física e desportiva, escolar e popular, e ainda pelo desenvolvimento da educação sanitária do povo e de práticas de vida saudável.

3. Direito à Auto-realização

A auto-realização assume, nesta fase da vida, um papel importante, por isso considerou-se igualmente importante consagrar o direito à realização das suas próprias capacidades ou habilidades através de:

  • Aproveitar as oportunidades para o total desenvolvimento das suas potencialidades;
  • Ter acesso aos recursos educacionais, culturais, espirituais e de lazer da sociedade.

4. Direito à Dignidade

Em primeiro lugar, todos os direitos dos idosos devem ter, na sua essência, o respeito pela dignidade humana. Deve haver uma consciencialização e esforço com o objetivo de:

  • Poder viver com dignidade e segurança, sem ser objecto de exploração e maus-tratos físicos e/ou mentais;
  • Ser tratado com justiça, independentemente da idade, sexo, raça, etnia, deficiências, condições económicas ou outros fatores.

5. Direito à Informação

O direito à informação aplica-se o mesmo que à população em geral:

  • Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações;
  • O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura.

6. Direito à Alimentação

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, a qual Portugal subscreveu, consagra, no seu artigo 25º, o direito humano à alimentação . Assim sendo, a pessoa idosa tem direito a receber pensão de alimentos dos filhos ou outros descendentes desde que não possuam meios próprios de se sustentar.

7. Direitos na Justiça

O sistema de acesso ao direito e aos tribunais destina-se a assegurar que a ninguém seja dificultado ou impedido, em razão da sua condição social ou cultural, ou por insuficiência de meios económicos, o conhecimento, o exercício ou a defesa dos seus direitos.

8. Direitos Sociais

Existem em Portugal um conjunto de direitos sociais atribuídos aos idosos em situações específicas, mas em termos gerais e, segundo a Constituição da República:

  • Todos têm direito à segurança social.
  • Incumbe ao Estado organizar, coordenar e subsidiar um sistema de segurança social unificado e descentralizado, com a participação das associações sindicais, de outras organizações representativas dos trabalhadores e de associações representativas dos demais beneficiários.
  • O sistema de segurança social protege os cidadãos na doença, velhice, invalidez, viuvez e orfandade, bem como no desemprego e em todas as outras situações de falta ou diminuição de meios de subsistência ou de capacidade para o trabalho.
  • Todo o tempo de trabalho contribui, nos termos da lei, para o cálculo das pensões de velhice e invalidez, independentemente do setor de atividade em que tiver sido prestado.
  • O Estado apoia e fiscaliza, nos termos da lei, a atividade e o funcionamento das instituições particulares de solidariedade social e de outras de reconhecido interesse público sem caráter lucrativo, com vista à prossecução de objetivos de solidariedade social consignados, nomeadamente, neste artigo, na alínea b) do n.º 2 do artigo 67.º, no artigo 69.º, na alínea e) do n.º 1 do artigo 70.º e nos artigos 71.º e 72.º.

9. Direito à Independência

Nos direitos dos idosos está também o direito à independência que segundo os Princípios das Nações Unidas têm direito a:

  • Ter acesso à alimentação, à água, à habitação, ao vestuário, à saúde, a apoio familiar e comunitário;
  • Ter oportunidade de trabalhar ou ter acesso a outras formas de geração de rendimentos;
  • Poder determinar em que momento se deve afastar do mercado de trabalho;
  • Ter acesso à educação permanente e a programas de qualificação e requalificação profissional;
  • Poder viver em ambientes seguros adaptáveis à sua preferência pessoal, que sejam passíveis de mudanças;
  • Poder viver em sua casa pelo tempo que for viável.

10. Direito ao Trabalho

No que respeita ao trabalho a pessoa idosa tem o direito de:

  • Exercer a atividade profissional, respeitando as suas condições físicas, intelectuais e psíquicas;
  • Direito à retribuição, direito à prestação;
  • Trabalhar em condições de higiene e segurança.

11. Direito à Assistência

Segundo a Resolução 46/91 Aprovada na Assembleia Geral das Nações Unidas de 16 de dezembro de 1991, as pessoas idosas têm o direito a:

  • Beneficiar da assistência e protecção da família e da comunidade, de acordo com os seus valores culturais;
  • Ter acesso à assistência médica para manter ou adquirir o bem-estar físico, mental e emocional, prevenindo a incidência de doenças;
  • Ter acesso a meios apropriados de atenção institucional que lhe proporcionem proteção, reabilitação, estimulação mental e desenvolvimento social, num ambiente humano e seguro;
  • Ter acesso a serviços sociais e jurídicos que lhe assegurem melhores níveis de autonomia, proteção e assistência;
  • Desfrutar os direitos e liberdades fundamentais, quando residente em instituições que lhe proporcionem os cuidados necessários, respeitando-o na sua dignidade, crença e intimidade;
  • Deve desfrutar ainda do direito de tomar decisões quanto à assistência prestada pela instituição e à qualidade da sua vida.

Sugerimos ainda a consulta da Publicação “Queremos falar-lhe dos Direitos das Pessoas Idosas” editada pelo Instituto de Segurança Social.

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Questões de Género no Envelhecimento

Breve reflexão de uma voluntária

O nosso envelhecimento não depende somente da nossa herança genética, mas também do nosso nível de escolaridade, do(s) local(ais) onde vivemos e ainda do “género que nos coube em sorte”.

Ser homem ou ser mulher significa ter papéis diferentes na sociedade, ser educado de forma desigual, ter oportunidades diferentes na vida. E significa também que o processo de envelhecimento no masculino e no feminino são vividos de formas diferentes.

Para identificarmos as disparidades entres homens e mulheres, de modo a nos abrir caminho a uma maior compreensão e consciencialização acerca da igualdade de género, a ATLAS promoveu o “Encontro ao Serão” dedicado ao tema “Questões de Género e o Envelhecimento”, no passado dia 10 de novembro, via ZOOM.

Foi oradora convidada a Professora Doutora Cristina Vieira, licenciada em Psicologia pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra e docente desta Faculdade desde 1992, sendo ainda Vice-Presidente da Associação Portuguesa de Estudos sobre as Mulheres.

O apelo geral deixado pela preletora aos voluntários e amigos do ATLAS que participaram neste Encontro ao Serão foi o de que é necessário exercermos o nosso papel enquanto cidadãs e cidadãos, sendo neste sentido que foi elaborada a Estratégia Nacional da Educação para a Cidadania, tendo a Professora Cristina Vieira feito parte do grupo de trabalho.

“Educar os jovens para que possam ser livres nas escolhas que façam”

assim referido pela preletora, não é um desiderato menor da formação das crianças e jovens. Se no futuro queremos adultos e adultas com uma conduta cívica que privilegie a igualdade nas relações interpessoais, a integração da diferença, o respeito pelo outro, é na sala de aula que tem de ser ensinado isto. Neste sentido, apraz ao ATLAS regozijar-se com o seu papel que tem vindo a desenvolver com o MEXE-TE.

Não há nenhuma sociedade no mundo em que a igualdade de género seja completamente conseguida. E, por isso, necessitamos de continuar mobilizados para promover a igualdade de género, mais a mais, num mundo que envelhece. Isto mesmo é referido na Carta de Género e Envelhecimento adotada em 2014, uma iniciativa do Centro Internacional de Longevidade Brasil. Também, a nível europeu, o Instituto Europeu da Igualdade de Género trabalha para que a igualdade de tratamento entre homens e mulheres seja uma realidade do nosso quotidiano.

“Quando a igualdade de géneros é realmente aceite, as aptidões, experiências e recursos de mulheres e homens de todas as idades serão reconhecidos como um património intrínseco de uma sociedade plenamente coesa, enriquecedora, produtiva e sustentável”.

Urge promover a igualdade de género num mundo que envelhece.

Bibliografia:

  • Carta de Género e Envelhecimento do Centro Internacional de Longevidade Brasil
  • Site do Instituto Europeu para a Igualdade de Género (EIGE)

Irene Constantino

Voluntária da ATLAS – People Like Us

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5 Atitudes a favor do ambiente

Este ano estivemos com os alunos/as do 6ºC da Escola Guilherme Stephens, na Marinha Grande, a desenvolver uma mural gigante e um video para sensibilização da comunidade escolar. As aprendizagens e o mural gigante desenvolvido serão apresentados 6.ª feira, dia 7 de fevereiro às 18h30 na sede da Marinha Grande.

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