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Velhos Amigos na Inauguração da Startup de Inovação Social de Leiria

A inauguração aconteceu no dia 28 de junho, e contou com a presença da ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social – Ana Mendes Godinho.


Desde 2019 a ATLAS tem participado ativamente nas atividades da incubadora IDDNET. Ainda em 2019 marcámos presença no 1º Bootcamp em Empreendedorismo Social, realizado em Leiria. Este Bootcamp, promovido pela IDDNET, contou com a organização do IES – Social Business School e com o investimento social do IPLeiria.

Em 2020 a incubadora IDDNET anunciou a fusão com a aceleradora StartUp Leiria. As duas entidades são agora uma só com a designação de StartUp Leiria.

Pode ser uma imagem de 4 pessoas e pessoas sorrindo
Certificados de 1º Prémio do Bootcamp em Empreendedorismo Social, promovido pela IDDNET – Startup Leiria

Atualmente a ATLAS recebe apoio da Startup Leiria no desenvolvimento de um projeto de inovação social que pretende vir a integrar idosos artesãos na comunidade através de um trabalho colaborativo com jovens designers.

A colaboração com a Startup Leiria tem permitido reforçar as competências da equipa técnica no âmbito da inovação social, desenvolvimento de planos de negócio assim como medição de impacto social. Ainda em 2019 a incubadora fez a revisão da candidatura do Projetos Velhos Amigos ao financiamento Parcerias para o Impacto, promovido pelo Portugal Inovação Social. Com candidatura ganha e já em execução, no dia 28 tivemos a oportunidade de apresentar o projeto.

Apresentação do Projeto Velhos Amigos, dinamizado pela ATLAS People Like Us na Inauguração Startup de Inovação Social de Leiria.


“Temos de ter uma nova inspiração para diferentes respostas sociais que não deixem ninguém para trás, desprotegido ou fora da comunidade. Precisamos de cérebros dedicados à inovação social”, afirmou a ministra Ana Mendes Godinho.


O projeto Velhos Amigos permite o acompanhamento de idosos em situação de isolamento social e carência económica. Alinhado com as necessidades sociais assim como com as políticas nacionais o projeto promove a cidadania ativa e a responsabilidade social. Com a aprovação da candidatura (Parcerias para o Impacto), em 2020, é mantida a génese do projeto Velhos Amigos com a mobilização da sociedade Civil e a entrega de refeições e é permitida uma acrescida monitorização e acompanhamento do bem-estar e qualidade de vida dos idosos apoiados dos municípios de Pombal, Leiria, Marinha Grande e Batalha.

Beneficiária de Pombal em contacto com uma voluntária da ATLAS – People Like Us

Saber mais sobre o projeto.

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Do outro lado do mundo

Tinha chegado o momento de concretizar o objetivo de ensinar a língua portuguesa num país pertencente à nossa comunidade linguística. Antes que a idade o impossibilitasse, era hora de fazer um voluntariado diferente. Assim, Timor-Leste, com a sua história comovente, apareceu como oportunidade de cumprir esse desejo. Contribuir para o desenvolvimento de um jovem país com eterna ligação a Portugal era motivo de orgulho e justificava o sacrifício da partida.

Ao chegar a Timor-Leste, é necessário esquecer o que se conhece da vida.

É preciso despirmo-nos de tudo o que julgamos saber e entrar no contexto. Na maior parte das localidades, o pão não se compra; faz-se. Come-se o que há.  Bananas, papaias, maracujás, abacates, anonas, pitaias são vendidos pelos próprios produtores em barracas montadas à porta das próprias casas. Os transportes públicos da cidade de Díli são as “microletes”, carrinhas pequeninas, muito velhas, conduzidas por jovens, com a música aos berros, e tem de se bater com uma moeda no vidro assinalando a intenção de sair. O lixo é queimado, pois não há recolha, e até lá mantém-se em plena rua. Os cuidados médicos são rudimentares e escassos. Não existe indústria nem explorações de agricultura intensiva.

Somos representantes do nosso país; o que um faz reflete-se na forma como a comunidade timorense vê todos os outros e como vê Portugal. O professor é aquele na mão de quem está o futuro dos jovens e do país; é o que detém o conhecimento; é o que deve dar o exemplo. Todas as pessoas nos tratam por “professora” e, dito pelos alunos, parece exprimir um carinho muito grande. Sempre sorridentes, olham para nós com curiosidade e respeito. São jovens irrequietos como todos os outros, mas revelam um grande respeito pelos professores. Muitos desejam vir a ser médicos, engenheiros, informáticos…num país onde escasseiam os empregos. Valorizam muito os livros. Quando um professor lhes oferece ou empresta um livro, sentem-se privilegiados e orgulhosos e tratam o livro com muita consideração.

Sentir Portugal em Timor-Leste | UCCLA
Do outro lado do mundo. Ensinar a língua portuguesa em Timor-Leste

Num lugar onde quase todos os bens materiais faltam, a família é o orgulho de cada um; definem-se pela família a que pertencem. É gente boa que se esforça muito para fazer evoluir o país entre muitas dificuldades.

 Perante tudo isto, fico com vontade de não me queixar de mais nada na vida. Fico com vontade de aproveitar tudo o que de bom houver em meu redor e me fizer feliz e fizer feliz quem o merecer. E, quem sabe, quando a pandemia desaparecer, concretizar, então, o projeto adiado.


Autora
Helena Jesus
Voluntária do Projeto Velhos Amigos na Marinha Grande.

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Projetos de Vida Sénior

A reforma é o merecido descanso de uma vida de trabalho, de correrias, de preocupações.


Há aquele alívio de que vamos finalmente descansar. Assim sendo, parece ser realmente o ideal, talvez durante uns tempos.
No entanto, quando a inércia toma conta de nós, tudo começa a ficar mais complicado. Não há rotinas, não há horários, não há a conversa habitual com as amigas e tudo se torna mais monótono. Há que arranjar algo que nos ocupe de novo, mas agora sem pressas nem compromissos rigorosos.
Depois de algumas pesquisas, encontrei a Projetos de Vida Sénior, fui ver do que se tratava, gostei e inscrevi-me.
Tudo mudou! Passou a haver de novo tempo para tudo, senti-me de novo ativa. Convivemos, aprendemos, fazemos exercício físico e mental, fazemos visitas temáticas e passeios pelo país e até pelo estrangeiro. Fiz novos amigos e reencontrei outros com quem há muito não convivia. De realçar ainda os extraordinários professores que dão o seu tempo e partilham o seu saber voluntariamente, dando-nos também muito da sua simpatia e amizade.

Projectos de Vida Sénior é uma Universidade Sénior da Marinha Grande, um projecto de aprendizagem informal dirigido a maiores de 50 anos. Saibe mais aqui.


A “Universidade Sénior” foi verdadeiramente algo de bom que me aconteceu. Foram três anos maravilhosos que me enriqueceram a todos os níveis.


Digo três anos porque ganhei, finalmente, o estatuto de avó! Esta era a etapa que faltava na minha vida e eu queria desfruta-la ao máximo.
Ponderei e evidentemente optei por ajudar a criar o meu neto. Interrompi então a minha passagem pela a Universidade, convicta de que iria voltar. Não foi possível, até à data, porque voltei, de novo, a ser avó.
Mantenho, no entanto, a esperança de voltar porque não há prazo para aprender e para ser feliz.


Autora
Cidália Carvalheiro
Voluntária do Projeto Velhos Amigos na Marinha Grande. Natural de Viseu, tem 71 anos, é casada há 50 anos, tem dois filhos e dois netos.

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Compassos da vida.

Iniciei a escrita deste texto a pensar no título de uma canção do extraordinário Sérgio Godinho: “Mudemos de assunto”.


Por mais que tente “mudar de assunto”, tenho ido parar ao mesmo: a minha perceção de que, neste momento social, as pessoas em idade ativa parecem estar divididas em dois compassos. Por um lado, trabalhadores que estão, de momento, desempregados, em espera da desejada “retoma” e a refazerem expetativas de forma a se ajustarem às oportunidades que surjam. Por outro lado, os trabalhadores no ativo que, independentemente do setor de atividade, estão a viver num ritmo frenético e avassalador.


Curiosamente, a média de idades dos voluntários da ATLAS é de 41 anos, a maioria estará a trabalhar. Há, certamente, episódios de vida comuns entre nós: mais um turno que é preciso fazer na fábrica num pico de produção; horas extra no escritório para concluir um relatório; prolongamento do horário para apoio logístico a tantos pedidos de clientes; videochamadas sem fim quando o trabalho invadiu a nossa casa, etc..
Trabalhar produtivamente é salutar e esperado nesta etapa do ciclo de vida (que se prolonga até cerca dos 60 anos). A par da produção e criatividade na atividade profissional surge a necessidade de criar e cuidar da família.


O meu ruminar de assunto tem a ver com isto mesmo: neste mundo materialista, dos números e das metas, a balança sai muitas vezes desequilibrada, com o aspeto profissional mais sorvedouro. A idade dos grandes desafios profissionais é também a dos grandes desafios da educação dos filhos e das fragilidades dos pais e a vida é, tantas vezes, gerida ao minuto, num correr de dias e voo de meses. Os filhos crescem, os pais envelhecem e precisamos ter tempo só para ser, só para estar.

“(…) precisamos ter tempo só para ser, só para estar.”

“Mas isto é um canto
E não um lamento
Já disse o que sinto
Agora façamos o ponto
E mudemos de assunto
(…)”


Conseguindo satisfação neste equilíbrio entre trabalho e família, o sentido do cuidar pode até ir além do contexto familiar e abarcar a comunidade onde se está inserido, a preocupação com os outros, o cuidar solidário (que também é comum entre nós, voluntários).
Neste mundo incerto, complexo, ambíguo, imprevisível, precisamos de descobrir quais as ligações (à natureza, à família, aos amigos, ao trabalho, à comunidade, etc.) que nos dão segurança, confiança e que têm significado para nós. Essas ligações são as que moderam os desequilíbrios e restituem harmonia. É um exercício de reflexão, cuja necessidade tantas vezes sentimos, mas que os grandes desafios, que acima referi, vão adiando… Então, desejo-nos tempo para que “façamos o ponto” da vida, de vez em quando, e para que possamos vivenciar essas ligações.


Autora
Sofia Carruço
Psicóloga e Voluntária na Atlas – People Like Us, em Leiria

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Voluntariado, um altruísmo egoísta

O voluntariado é um exercício de cidadania, de solidariedade e contribui para a realização pessoal de quem o pratica. Definido como “um ato livre, gratuito e desinteressado, oferecido às pessoas, às organizações, à comunidade ou à sociedade” (Paré e Wavroch, 2002:11), o reconhecimento da importância da prática tem vindo crescer, note-se o estabelecimento do ano internacional do voluntariado (2001), o assinalar do dia internacional dos voluntários (05 de dezembro), bem como a criação de programas de voluntariado.

A Organização das Nações Unidas realça a importância do voluntariado pelo seu papel no “reforço da coesão social e económica, gerando capital social, promovendo a cidadania ativa, a solidariedade e uma forma de cultura que põe as pessoas em primeiro lugar”.

O voluntariado desempenha uma função muito importante no apoio ao estado, e às organizações do terceiro sector, que não conseguem dar resposta a todas as situações. É uma forma de participar na transformação social e um meio de participação cívica dos cidadãos, onde o indivíduo procura dar um contributo para tornar a sociedade melhor, mais inclusiva, mais igualitária, respeitando e agindo de acordo com os direitos de todos os seres. É uma prática que deve ser incentivada e impulsionada (tendo aqui a educação um papel fundamental) para que se torna parte integrante da cultura.

“Dar e receber
devia ser a nossa forma de viver”

  • António Variações

Faço voluntariado há vários anos, e recomendo! Faço-o com pessoas, faço-o com animais, faço-o por mim. Na minha opinião o voluntariado assenta na premissa dar e receber, tal como diz a canção do António Variações “dar e receber devia ser a nossa forma de viver”. Dou um pouco do meu tempo e da minha atenção e em troca recebo sorrisos e estima.

Voluntária do Projeto Velhos Amigos da ATLAS, na Marinha Grande.

As motivações para o voluntariado são também alvo de um crescente interesse por parte da comunidade académica que tem vindo a desenvolver vários estudos para compreender os motivos que levam os indivíduos a desenvolverem a atividade de voluntariado, e a permanecer na prática por longos períodos; bem como estudos de caraterização da prática do voluntariado (em Portugal – Delicado, 2002; Amaro et al, 2012; Serapioni, Ferreira e Lima, 2013). Os estudos sobre a motivação para o voluntariado são efetuados com base na aplicação de vários instrumentos, nomeadamente o inventário de funções do voluntario que identifica várias categorias: as pessoas tornam-se voluntárias para expressar os valores (altruísmo), para desenvolver habilidades /aprendizagem, por motivos relacionados a carreira (ganhar experiência profissional), para proteger o próprio self de sentimentos de culpa, para crescimento/desenvolvimento pessoal, pela possibilidade de socializar com outras pessoas.

Vários autores (Delicado, 2002; Cnaan e Goldberg-Glen, 1991) consideram que as motivações para o voluntariado tanto podem ser de carácter altruísta como de carácter egoísta, uma vez que a sua pratica contribui, pelas experiências vividas e partilhadas, para o crescimento pessoal. Importa também referir que diversos estudos realizados juntos de voluntários apontam para a perceção de benefícios como uma melhor saúde física e mental, bem como níveis elevados de bem-estar subjetivo.

Sê tambem voluntários na ATLAS – People Like Us. Sabe mais clicando aqui.

Autora
Cláudia Marinho
Socióloga, Investigadora Social em temas como migrações, juventude, delinquência juvenil. Voluntária na ATLAS, no Projeto Velhos Amigos.

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O mundo precisa de nós!

Olá, sou a Nicole Bohórquez tenho 20 anos e sou uma estudante Universitária do Equador. Há 3 anos lancei-me numa aventura para um dos melhores países do Mundo, Portugal.

Quando temos 17 anos ainda não sabemos muito bem o que queremos ser na vida, nem o que queremos estudar e muito menos onde; mas uma coisa é verdade, queremos sempre uma mudança, queremos trocar tudo aquilo que não gostávamos por coisas que nos apaixonam.

O Equador é um país maravilhoso: cheio de cultura, importantes patrimónios históricos e uma flora e fauna como nenhuma outra região no mundo; histórias que intrigam aos mais exigentes visitantes são contadas diariamente nos seus grandes centros coloniais. Quito, a cidade que me viu crescer e a antiga capital do império Inca como, alguns historiadores afirmam, foi contruída na metade do mundo sobre as montanhas da cordilheira dos Andes a mais de 2.850 metros sobre o nível do mar, e foi o lugar onde toda a minha família esperava saber qual ia ser o próximo episodio da minha vida. 

Quito, capital do Equador.

Mas para uma rapariga como eu, que estava à procura de novos desafios e expandir os seus conhecimentos mais além das fronteiras ,não me bastava ficar naquele belo lugar. Eu precisava de mais, precisava mesmo de levar a minha mala cheia de solidariedade a um país tão maravilhoso como o meu. A dúvida invadia todo o meu corpo, despertando o desejo de saber qual seria o meu destino.

Portugal é o País dos castelos medievais, aldeias de xisto, cidades cativantes e praias douradas, uma região que entrega ao mundo os mais sublimes pôr-do-sol que alguma vez já vi.  Desde a cidade dos Miradouros de Lisboa até à apaixonante cidade de Porto. O terceiro país mais seguro do mundo, uma região muito tranquila para se viver, os cidadãos mais antigos dizem que Portugal é o “cantinho do céu”; e como não acreditar nisto se cada dia da minha vida em Portugal tem sido uma bênção de Deus.

Eu sou das pessoas que acreditam em que a vida é uma aventura, e que temos de vivê-la como se cada dia fosse o último, sou uma rapariga que tem uma grande ligação com a sua família, mas o meu compromisso com o mundo vai mais longe. Nunca me vou esquecer da primeira vez que tive de me despedir da minha família no aeroporto Internacional de Quito, nunca antes tinha sentido tantas emoções ao mesmo tempo, era uma batalha intensa entre o entusiasmo de conhecer o meu destino e a tristeza de deixar para atrás os seres que mais amo no planeta.

 Só a partir daí reparas que tudo o que tinhas antes ou o que tinhas construído em toda a tua vida afastava-se pouco a pouco através da janela dum avião, mas depois de um suspiro começas a pensar em que tudo vai correr bem, e em que serás o orgulho de uma família inteira que sempre vai esperar o teu regresso.

Portugal recebeu-me de braços abertos, o clima era perfeito, o meu café era perfeito, Leiria era tão linda, tudo era espetacular. Não podia esperar para chegar ao meu quarto deixar as minhas coisas e sair para conhecer a nova cidade onde ia viver nos próximos 3 anos.

No início, o meu nível de português era o equivalente a um miúdo de 6 anos e, apesar disso, graças à boa vontade para ajudar- característica do povo português-, conseguia comunicar com algumas dificuldades, mas sempre transmitindo o meu objetivo.

Adorei imenso a gastronomia de Portugal!,- o bacalhau com natas, o bacalhau a Brás, o bacalhau espiritual-,… meu deus, nunca pensei que o bacalhau podia ser cozinhado de tantas maneiras e oxalá algum dia consiga experimentar todos os que existem.

Para quem vem da América Latina, continente que não testemunhou a época Medieval, a arquitetura das cidades europeias é uma verdadeira obra de arte e o ponto mais expressivo da bela cidade de Leiria sem dúvida é o seu castelo, de onde os visitantes podem apreciar as extensões territoriais de uma das mais peculiares cidades europeias.

Será que valia a pena ter deixado tudo para trás?

Os meus primeiros meses não podiam ter sido melhores, foi uma das melhores épocas que já passei, mas chegou um ponto que comecei a questionar as minhas próprias decisões, era este o caminho correto? era esta a vida que eu queria? Será que valia a pena ter deixado tudo para trás e começar do zero? tantas perguntas sem uma resposta clara nublavam na minha mente e afogavam as minhas ânsias de mover adiante.

Sim, é certo que vir para Portugal foi a melhor decisão que podia ter tomado, mas deixar o meu país foi o mais difícil de assimilar. Neste ponto da minha vida, onde quase nada fazia sentido, ganhei uma família, da qual vou estar sempre eternamente agradecida, pois com eles descobri a importância de valorizar a vida de uma pessoa tanto como a de milhões: Atlas, uma organização Portuguesa de Voluntariado, um raio de esperança no mundo e uma bênção para aqueles que mais precisam da colaboração da sociedade.

Graças a eles, reforcei o meu propósito de vida: “Fazer o bem sem olhar para quem”, e aos que chegaram até este ponto da história, quero dizer-vos que o mundo precisa de nós, não importa onde estejamos. Podemos fazer tanto só com o nosso sorriso e a vontade de fazer mais amena a vida daqueles que já desistiram de ser felizes.

Bootcamp de voluntários 2019, no qual a Nicole esteve presente.

Quero culminar com uma frase que toca a minha alma sempre que a oiço, e que sei que vai servir como motivo para te fazer sair da tua cadeira a abraçar todos aqueles que precisem do nosso carinho.   

Enquanto houver vida, haverá esperança!


Autora
Dayana Nicole Bohórquez Huertas
Estudante e Voluntária no Projeto Velhos Amigos

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Uma Páscoa Gastronómica, região centro

A Páscoa é, das celebrações Católicas, a mais importante. Não só pelas festividades associadas ao fim da Quaresma como também porque marca o início de um novo ciclo, um ciclo de fertilidade, de renovação e vida abundante. Muito do simbolismo pascal, projeta-se nas práticas alimentares, gastronómicas e etnográficas que vivenciamos por esta época.

Esta prática de associação entre o sagrado e o profano, no qual se encaixa também a gastronomia, reveste-se de um simbolismo que, no passado, teve muito mais importância que nos dias que correm. Um bom exemplo é a prática do consumo do borrego ou cabrito nesta época festiva, dependendo da região. Este consumo retrata-se na prática dos Hebreus que na Páscoa sacrificavam um cordeiro em honra de Jesus Cristo, que também havia dado a sua vida para libertar o seu povo. Esta prática alimentar e gastronómica no fim da Quaresma, estava normalmente circunscrita à celebração da Páscoa, a um Batizado, Casamento ou outra festa de maior importância das famílias. Era habitualmente com um animal de aproximadamente um ano que se faziam maravilhosos cabritos e borregos assados no forno, em ensopados ou caldeiradas.

A prática de aguardar pelos momentos festivos para consumir determinadas iguarias, perdeu-se.

Com a popularização dos restaurantes gastronómicos, que destacam e dão palco ao melhor da culinária local, a produção em escala para o comércio de retalho, a democratização dos preços e o acesso a bens alimentares até então limitados a determinadas épocas, permitem que hoje se possa adquirir e confecionar todo o tipo de ingredientes em qualquer época do ano.

A Região Centro tem tudo o que precisamos

A Região Centro de Portugal não é exceção a este movimento de mudança no paradigma alimentar e, por conseguinte, conseguiu popularizar muitas das iguarias gastronómicas associadas à quadra da Páscoa. Alguns desses bons exemplos são a famosa Chanfana da Chainça, lugar onde a cabra e os seus rebanhos ganham destaque, providenciando o cabrito na quadra da Páscoa. Mas também o Leitão da Boavista, que, há boleia dos grandes centros de produção e abate da freguesia, se popularizou bastante com alguns restaurantes a fazerem fronteira com a EN1/IC2 há várias décadas. É, de resto, com a melhoria das estradas, dos meios de transporte e o aumento da circulação de pessoas que toda esta gastronomia mais circunscrita se popularizou, e ainda bem.

Para esta quadra escolho o Leitão à Boavista

Escolho o Leitão à Boavista por razões de ordem pessoal, é o meu prato gastronómico de eleição, e nutricionais, porque não devemos excluir a gastronomia local da nossa alimentação, antes moderar na quantidade e apostar na diversidade. No caso do leitão, por ser fornecedor de gordura em grande quantidade, devemos reservar apenas para dias especiais, enaltecendo a sua riqueza gastronómica em momentos de verdadeira festividade. E, querendo fazê-lo em casa, compraria uma assadeira de Barro da Bajouca, daquelas que dão para deixar leitão suspenso. Preparava uma pasta de alho pisado no almofariz, com sal da Figueira da Foz e pimenta em grão (branca e preta), à qual juntaria depois banha de porco. Logo barrava o leitão com o preparado, recheando o seu interior com metade da pasta de tempero (fechando com agulha e linha a barriga). Por baixo do leitão deixaria batatinhas novas com casca, apenas cortadas pela metade. Levaria a assar em forno bem quente, tendo o cuidado de não deixar assar demasiado as batatas (uma folha de couve a tapar lá mais para o final), cerca de 1h15 a 1h30 para um leitão de 4 a 5kg. Esta iguaria especial da nossa região acompanha bem com uns grelos ou nabiças cozidas, ou uma salada de várias verduras que tenham muita cor a lembrar a primavera, cheia de cor e sabor.

Boa Páscoa com boa gastronomia!


Autor
Rui Lopes
Nutricionista e Voluntário no Projeto Velhos Amigos

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Matiné do Riso

No passado dia 20 de março, Dia Internacional da Felicidade, no que era suposto ser uma tranquila tarde de sábado, fui sobressaltado por uma iniciativa da equipa da ATLAS que nos presenteava com uma Matiné do Riso. A sessão seria facilitada por José Santos, Embaixador do Yoga do Riso em Portugal, e a assistência era desde logo convidada a não se inibir de soltar muitas gargalhadas! Mas, perguntarão os caros leitores, porquê o sobressalto? Por causa do “ioga do riso”.

Para mim, um ignorante nesta matéria, ioga é uma prática meditativa associada a exercícios físicos que esticam até aos limites (!) os músculos, tendões, nervos, articulações, tudo num ambiente de grande calma e infinita placidez. Como seria possível rir nestas circunstâncias? Na melhor das hipóteses, a ideia de estalar articulações e repuxar músculos poderia, quando muito, provocar risos nervosos! Confesso que tinha hesitado em me inscrever na sessão. Mas… a atração pelo abismo foi muito grande e lá fui à sessão… era em Zoom e, enfim, havia sempre a possibilidade de haver uma falha de comunicação mesmo a propósito…

Lá fui… e ri-me muito,

mesmo sem ter saído da cadeira!

Ri-me eu, e riu-se a assistência composta por beneficiários, simpatizantes e voluntários que preenchia bem a “sala” do Zoom. E rimo-nos de quê? Do riso! Sim, rimo-nos do riso! A sessão, muito animada e entusiasticamente conduzida por José Santos, constava essencialmente de exercícios físicos (leves, leves, aah, deste ioga gosto eu!) acompanhados pela vontade de cada um de nós rir, porque rir é o que queríamos fazer naquele momento, porque rir é bom, porque rir não paga IVA, rir porque sim, rir porque num tempo onde tantas ideias são atualizadas, podemos atualizar o clássico ditado “quem canta seus males espanta” para “quem faz ioga do riso sua vida leva com um sorriso”. Estou a ser demasiado otimista? Talvez, mas riso a riso vai a vida enchendo o papo!

Ficou o sorriso de cada um de nós.

E, sobretudo, caros leitores, ficou o sorriso de cada um de nós no fim da sessão! Como foi bom sentir que uma assistência tão alargada tinha partilhado momentos agradáveis e de muita cumplicidade! Sim, cumplicidade, porque rirmo-nos uns para os outros, muitas vezes sem nos conhecermos, apenas porque queríamos todos rir, sim, foi um exercício de cumplicidade radical! Deste fim de tarde, ficou em mim, e creio que na assistência, a recordação da felicidade de uma tarde de riso partilhada!

Mas afinal o que é o ioga do riso? Agora sim, rio de nervoso, mesmo estando apenas sentado na cadeira donde escrevo, sem ter de fazer exercícios físicos que esticam até aos limites os músculos, tendões, etc.: Não sei o que é o ioga do riso! Mas sei que existe porque vivi-o mesmo que apenas momentaneamente! Prometo que numa próxima newsletter saberei do que agora escrevi! Até lá, não se inibam de rir sempre que possível, mesmo que seja apenas desta minha ignorância!

Sintam-se convidados e convidadas a conhecer mais sobre o trabalho do José Santos: aqui

Registo de um momento do Encontro ao Serão – Matiné do Riso, dinamizado por José Santos com voluntários, beneficiários e amigos da ATLAS – People Like Us.

Autor
Rui Bingre
Voluntário no Projeto Velhos Amigos

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Dia Mundial da Justiça Social

O Dia Mundial da Justiça Social, comemorado desde 2009 a 20 de fevereiro, foi uma data proposta em 2007 pela Assembleia Geral das Nações Unidas, de acordo com a Resolução A/RES/62/10. O objetivo do Dia é promover esforços para enfrentar questões como a pobreza, o desemprego e a exclusão, tentando criar oportunidades para todos e combater as desigualdades no mundo.

Injustiças Sociais em 2021

Vivemos ainda num mundo marcado por várias e diversas injustiças sociais. Todos os dias, local e mundialmente, pessoas são excluídas socialmente pela sua história de vida, pelo género, pela raça, pela etnia, pela religião, pela doença e pela capacidade sócio-económica.

Em 2021 lidamos ainda com a pandemia Covid-19, que causou uma crise sem precedentes em todo o mundo. Estamos todos a viver os efeitos deste momento tão difícil na história. Porém, para uma grande parcela da população, a crise é vivenciada de forma ainda mais intensa e preocupante, devido às desigualdades sociais. Segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2020, 2,037 milhões de portugueses encontravam-se em risco de pobreza ou exclusão social. Na imagem seguinte percebemos que o risco de pobreza e exclusão social tem diminuido ao longo dos anos, ainda assim, 19,8% da população portuguesa encontra-se numa situação de extrema vulnerabilidade.

A luta pela Justiça Social

Quer seja a nível local, nacional ou internacional, pela sociedade civil organizada ou pelos governos, a luta pela justiça social é premente e leva-se a cabo, acima de tudo, através de uma:

  • Justiça Social preventiva: Aquela que garante políticas de informação, educação e capacitação para a igualdade.
  • Justiça Social interventiva: onde se integram as Políticas Sociais que permitem o (re)equilíbrio da pessoa na sociedade.

O papel do estado

A luta pela Justiça Social pode ser feita por todos nós (ver infográfico no fim da página) mas é de evidenciar o papel do Estado sendo que, de acordo com a Constituição da República Portuguesa, é dever do mesmo:

“b) Promover a justiça social, assegurar a igualdade de oportunidades e operar as necessárias correções das desigualdades na distribuição da riqueza e do rendimento, nomeadamente através da política fiscal;”

Artigo 81.º b) “Incumbências prioritárias do Estado” da Constituição da República Portuguesa

4. A tributação do consumo visa adaptar a estrutura do consumo à evolução das necessidades do desenvolvimento económico e da justiça social, devendo onerar os consumos de luxo.

Artigo 104.º “Impostos” da Constituição da República Portuguesa

O papel de cada um de nós

Partilhamos um infográfico do que cada um de nós, cidadãos e cidadãs, pode fazer.

Dia Mundial da Justiça Social – Infográfico ATLAS – People Like Us
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Dia Nacional do Doente Coronário

O Dia do Doente Coronário celebra-se todos os anos a 14 de fevereiro. A data foi institucionalizada pela Fundação Portuguesa de Cardiologia e comemora-se por todo o espaço da Comunidade Europeia. As doenças crónicas incluem doenças como a diabetes, cancro ou asma. Abordamos, de seguida, a sintomatologia associada.

Doença Coronária

A doença crónica é uma doença não transmssível, que se prolonga ao longo da vida, não se resolve espontaneamente e não tem cura (Center for Managing Chronic Disease (CMCD, 2015)).

“as doenças cronicas (…) são, de longe, a principal causa de mortalidade no mundo, representando 60% de todas as mortes. Dos 35 milhões de pessoas que morreram de doença crónica em 2005, metade tinha menos de 70 e eram mulheres”.
Organização Mundial de Saúde (2005)

Barros (2003) afirma que cada doença crónica é unica, pois enquanto umas podem acompanhar o sujeito durante toda a vida sem redução de sintomas, outras podem possuir prognósticos a curto ou médio prazo; umas podem implicar alterações pouco significativas na vida do doente, enquanto outras podem alterar significativamente a sua vida e levar a imensas restrições e à adsão a terapêuticas muito severas.

Para uma patologia ser considerada uma doença crónica, tem que mostrar uma ou mais das seguintes caracteristicas: provocar incapacidade, ser causada por alterações patológicas irreversíveis, necessitar de supervisão por longos períodos de tempo (OMS, 2005). Esta pode começar por uma condição aguda, normalmente insignificante, prolongando-se através de vários episódios de agarmento e remissão (Martins, França & Kimura, 1996). Manifestam-se através da interação de factores genéticos e factores ambientais externos (Hui, 2015).

Doença crónica nos idosos

Os idosos são a população mais afetada pelas doenças crónicas. A incidência de doenças como a hipertensão artial, o cancro, a diabetes e patologias cardiovascular aumenta com a idade. Para além destas doenças, a diabetes a depressão e a osteoartose, são algumas das doenças mais prevalentes entre os idosos. Esse aumento deve-se à interação entre factores genéticos predisponentes, factores fisiológicos de envelhecimento e factores de risco modificáveis como tabagismo, ingestão alcoólica excessiva, sedentarismo, consumo de alimentos não saudáveis e obesidade (Wong & Wong, 2005).

O lugar comum na luta pelo controle das doenças crônicas é a prevenção, primária ou secundária. Quando as condições crônicas são mal gerenciadas, os encargos de saúde tornam-se excessivos. Os profissionais de saúde têm como missão motivar a população a manter hábitos de vida mais saudáveis, além da manutenção e seguimento médico regular a fim da realização de diagnóstico precoce, caso essas condições se manifestem. 

O objetivo destes cuidados é não só aumentar o tempo de vida como a sua qualidade. O maior desejo é manter independência e  autonomia de cada indivíduo pelo maior tempo possível (Martins, França & Kimura, 1996). Nos cuidados específicos ao paciente idoso, com todas as suas caracteristicas e presença frequente de várias doenças associadas, torna-se, ainda mais importante a educação em saúde e uma abordagem holística. É importante que o idoso tenha informações sobre as doenças existentes, prevenção e tratamento, para que possa realmente sentir o quanto pode fazer por si mesmo. Os profissionais de saúde também devem contemplar o todo, o ser bio-psico-social (Barros, 2004).

Os tratamentos propostos, devem ser adequados a cada indivíduo. Para uma atenção global ao idoso, deve-se ter cada vez mais a certeza de que há grande benefício na atuação de equipas multidisciplinares, em todas as etapas do processo saúde-doença, seja na prevenção e compensação de doenças crónicas ou reabilitação.

Manter um estilo de ida saudável é uma forma de prevenir as doenças coronárias. 14 de fevereiro – Dia Nacional do Doente Coronário

Referências

Barros, B., Souza, C. & Kirsztajn, G. (2004). Qualidade de vida de pacientes portadores de glomerulopatias. In Pais-Ribeiro, J. & Leal, I. (Editores). 5º Congresso Nacional Psicologia da Saúde – A Psicologia da saúde num mundo em mudança. ISPA Edições. Lisboa.

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Autora do artigo

Cláudia Silva

Psicóloga na ATLAS, Formada em Psicologia Sistémica e Familiar, com formação em Terapia do Luto com crianças e adultos.

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