Notícias

Ser voluntária, quando o tempo ganha nome, rosto e memória…


Num dia dedicado a quem dá sem esperar retorno, fez-se uma pausa para refletir, reconhecer e olhar em frente. Esta partilha nasce de um encontro que confirmou algo essencial, o voluntariado vive do coração, mas também merece visibilidade, respeito e futuro.

No passado dia 5 de dezembro, Dia Internacional do Voluntário, sentei-me numa sala cheia de pessoas diferentes, mas unidas por algo poderoso, a vontade de fazer a diferença. A palestra sobre o Cartão do Voluntário foi o mote desse encontro, mas saiu dali algo maior do que uma simples ferramenta, saiu a confirmação de que o voluntariado também merece ser visto, reconhecido e cuidado.


Falou-se de registo, de percurso, de horas convertidas em impacto social, de certificação, de uma identidade digital que acompanha quem dá o seu tempo aos outros. Falou-se do futuro, o que me fez voltar um pouco ao passado…

Sou voluntária da Atlas People Like Us desde 2018. Comecei apenas com disponibilidade, empatia e a certeza de que estar presente já era, por si só, um ato transformador, mas confesso que saber que esse caminho pode agora ser reconhecido trouxe-me uma sensação profunda de justiça e gratidão.

A palestra lembrou-nos que durante muito tempo o voluntariado foi invisível nas estatísticas, nos currículos, nas narrativas oficiais. Hoje, com o Cartão do Voluntário, há finalmente um esforço para dar corpo ao que sempre foi feito com o coração. Um cartão que não mede apenas horas, mas histórias. Que não soma apenas ações, mas impacto. Que não substitui a motivação, mas a valida.


Enquanto voluntária, percebo que este reconhecimento não muda a essência do que fazemos,  mas muda a forma como a sociedade olha para quem escolhe dar. Muda também a forma como nós próprios nos vemos. O voluntariado deixa de ser “apenas” algo que fazemos e passa a ser parte da nossa identidade cívica.

Ao sair da palestra, senti gratidão, pela Atlas, pelas pessoas que encontrei ao longo destes anos, pelas causas que me atravessaram e pelas versões de mim que nasceram em cada ação. O Cartão do Voluntário é um passo  realmente importante. Mas o verdadeiro cartão continua a ser aquele que carregamos dentro de nós, feito de compromisso, humanidade e vontade de construir um mundo mais justo, todos juntos.


O dia do voluntário, bem como todos os outros dias são de celebração do que fomos, o que somos e tudo aquilo que ainda seremos. Porque ser voluntária não é um capítulo da minha vida. É uma forma de estar nela.


Lisa Barbosa

Post a comment