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Solidão

“Nunca o nosso mundo teve ao seu dispor tanta comunicação. E nunca foi tão dramática a nossa solidão. Nunca houve tanta estrada. E nunca nos visitámos tão pouco.”  Mia Couto

Eis-me aqui, na curva descendente da vida. Passos trôpegos, olho pela janela. O sol estende o seu manto alaranjado, até se esconder para lá do horizonte.

Deixo-me levar até onde a minha memória alcança. Eu pequenina, o mundo eram as ruas da minha aldeia. As estações do ano sucediam-se. Noites de verão em que se contavam estrelas, ouviam-se grilos, andava de bicicleta com a minha irmã, brincava no pátio da escola com as amigas e amigos e chapinhava nas poças da chuva. Lembro-me de procurar os braços da minha mãe nas noites de trovoada. Lembro-me da água gelada no tanque da roupa. Lembro-me, com saudade, da minha família, das pessoas que a vida trouxe e levou. Meu porto seguro. Cartas longas que se escreviam e raras chamadas telefónicas. Um passado cheio de gente, de afetos, dores e saudades.

Cheguei aqui. Pelo caminho houve de tudo. Vitórias, derrotas, aprendizagens. A voragem dos dias a apoderar-se de mim, de quem me rodeava. Planos de vida que se iam sucessivamente adiando. Um amanhã sempre a escapar-se entre os dedos. A família que me resta, telefona-me espaçadamente. Tempo, a eterna desculpa. Os amigos de uma vida foram ficando lá atrás. Os que ainda por cá andam, reféns dos seus passos, aparecem cada vez menos. Deixo de conhecer os meus vizinhos. Eles também não sabem quem eu sou. Talvez nem saibam que eu existo. A porta de minha casa já raramente se abre. A campainha está muda, já não anuncia a chegada de ninguém.

Os meus dias sucedem-se iguais. Tenho os meus gatos e os meus livros. Mas os meus olhos cansam-se rapidamente. Ligo a televisão e ali fico estática, esquecida, perdida no vazio. Recentemente algo começou a mudar. A esperança e a alegria começam a abrir caminho na minha vida. Há pessoas boas, empenhadas em dar algo de si, em derrotar a solidão de quem está só. De quem se sente só. A Dora procura saber como me sinto. Senta-se junto a mim e conversa. Conta como vai o mundo, fala de coisas do dia-a-dia. Fico feliz quando ela abre um livro e lê para mim. Fecho os olhos, deixo-me transportar.  Sinto o calor do sol a bater na minha janela, os gatos enroscados aos meus pés e, nestes momentos, tudo me faz sentido. Gratidão


Autor
Élia Vala

Mãe e avó. Assistente comercial numa instituição financeira. Gosta de pessoas, livros e natureza. Angustia-se com o sofrimento humano, em particular de crianças e idosos. Conhece o admirável trabalho da Atlas pela mão da sua amiga Dora Rodrigues. 

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De Coração Cheio

No Projeto Velhos Amigos, todos os sábados, acontece um momento mágico no qual se espalha Alegria e Amor. Quando acontece cada encontro, há saudações alegres que ecoam, olhos que se cruzam, refeições que se doam e um tempo que se entrega de forma desinteressada ao outro. No meio das rotinas diárias, das regras sanitárias que nos afastam já há tantos meses, o investimento Humano, a grande riqueza destes tempos é Escutar!  Esta é a grande arma de combate contra a solidão e a indiferença.

Este é o sentimento que vivenciamos pela Vila da Batalha, vamos e o mais importante, é Escutar. O testemunho de quem faz a magia, os nossos Voluntários nos Velhos Amigos na Batalha:

Sempre gostei de ajudar, quando recebi o convite para fazer parte do grupo de voluntários da Atlas fiquei muito agradecida. São 2 horas de companhia, partilha de experiências de vida, e ainda uma refeição quentinha para aconchegar os nossos amigos.

E, eu sou uma sortuda por fazer parte deste grupo solidário Atlas.”

Alexandrina Henriques

“Uma experiência fantástica, sempre foi algo que quis fazer, estou muito feliz por a Atlas me ter dado está oportunidade, com os nossos velhinhos tenho aprendido muito… adoro fazer isto…. adoro ajudar… estou de coração cheio… sinto muito orgulho no que faço! OBRIGADA ATLAS!”

Catarina Teixeira

“Ajudar os outros… Ir com o Coração Cheio. No fim ficas com o Coração a transbordar….”

João Toscano

“Seja qual for o caminho que tu escolhas para a tua vida, tens de arranjar sempre tempo de devolver, seja á tua comunidade, seja á tua freguesia ou até ao teu país!” Ajudar outras pessoas dá-me uma grande satisfação, muito mais satisfação que outra coisa supérflua eu possa fazer ou adquirir… Muito obrigado por me receberem na Atlas!”

Rolando de Jesus

Mas para mim a vida só faz sentido assim, saber que a minha presença pode fazer a diferença na vida destas pessoas. Levar um sorriso e trazer um coração cheio…”

 Susana Guerra


Autor
Elizabeth Guerra

Voluntária ATLAS. Coordenadora do Projeto Velhos Amigos na Batalha

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Janeiro!

Aos primeiros minutos do mês e do novo ano ocorre-me sempre a frase: Mais 365 oportunidades para ser feliz! Lá por ser umafrase feita” não é desprovida de sentido, para mim. O que acontece é que utilizar cada dia do novo ano para experimentar ser feliz dá trabalho!

Sim, sim, é trabalhoso, é um trabalho “interno” esse de não me deixar ir no frenesim de cada dia, esse de criar algo positivo, estimulante, ainda que esteja a percorrer o mesmo caminho para o trabalho ou a fazer as tarefas rotineiras. Mas… caramba! Se é para a minha felicidade, arregaço as mangas para esse “trabalho”!

E começo logo por tentar perceber do que ando à procura, ou seja, como se concretiza a felicidade para mim? Em cada dia não é algo magnânimo que eu espero que aconteça, é algo mais realista, é sentir alegria, satisfação, bem-estar. E, sendo assim, o meu trabalho é lembrar-me de fazer algo que acrescente alegria ao meu dia e isso pode mesmo estar em detalhes, quando têm significado positivo, para mim. Então, aprecio a energia do sol a subir no céu, enquanto conduzo, logo de manhã; ou reparo nas formas que as nuvens fazem; canto a música que passa no rádio e rio com as piadas do locutor (sem pudor do automobilista que vai à minha frente) e se o trânsito estiver mais lento, até tenho oportunidade de ouvir mais música (claro, não vou estragar aqui o fluxo desta boa energia com o stresse de chegar atrasada, saio de casa com um pouquinho de margem no tempo)…

É apenas o início do dia, mas este estado de espírito vai abrir caminho para o que vem a seguir correr melhor, vai até fazer de “escudo” para o humor carrancudo de algum colega. Quando escolho comportamentos de bem-estar (fazer algo que me dá boas sensações), isso manifesta-se no meu corpo (sinto tranquilidade, por exemplo, os batimentos do coração serão estáveis) e esse bem-estar também alcança a minha forma de lidar com as situações, pensando acerca delas de forma mais construtiva (mais focada no que posso fazer para resolver certa questão, em vez de apenas reclamar ou achar impossível algo ser feito).

A felicidade, num grande momento ou nos pequenos prazeres de cada dia, pode mesmo ajudar esta engrenagem a funcionar!

A energia dos equipamentos tecnológicos é elétrica e a energia de cada pessoa vem desta “bateria” de momentos bons, coisas alegres, afetos positivos, experiências agradáveis. Esta “bateria” vai dar-nos força para lidar com as situações de vida menos boas, elas existem e precisamos estar “recarregados” quando surgirem.


Autor
Sofia Carruço

Psicóloga e Voluntária na Atlas – People Like Us, em Leiria

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Envelhecer de uma forma mais agradável

Este é o resumo de um trabalho que preparei para um grupo de jovens. Quando mo pediram achei descabido falar de envelhecimento a jovens, mas pensando melhor não é tão descabido como possa parecer. A velhice começa a preparar-se muito cedo.

Eu própria a fui preparando, sem me aperceber. Mas agora, olhando para trás, vejo que se não tivesse assentado a minha vida em três valores que considero essenciais não teria hoje nada de positivo para transmitir aos mais novos. 

 E quais são esses valores?

1 – Ter objectivos e lutar por eles 

2 – Não virar as costas às dificuldades

3 – Responder aos desafios.

Permitam-me que refira alguns exemplos:

1 — Estudamos porque queremos tirar um curso onde nos sintamos realizados e que nos dê uma certa estabilidade financeira e emocional.

2 — Casar e ter filhos. Não é nada fácil conciliar a vida profissional com a vida familiar. (Cheguei a ter cinco homens à minha responsabilidade numa altura em que os homens não colaboravam nas tarefas domésticas).

3 — Quando me aposentei não parei. Comecei por colaborar em movimentos da Igreja. Além de outras actividades fui catequista. Do grupo de Catequese nasceu um grupo de Jovens que me proporcionaram momentos incríveis (encontros com outros grupos, viagens, convívios) Aqui os mais novos ficam a saber como podem ajudar os mais velhos a envelhecer de uma forma bem agradável.

Fiz parte de um grupo sócio caritativo onde me senti totalmente realizada (contribuir para que alguém possa ser um pouco mais feliz) Paralela e individualmente estava atenta e ajudava quem precisava da minha ajuda. 

Participei na Política. Aí não era bem a «a minha praia», mas, por insistência de terceiros, fiz parte dos Órgãos Políticos de um partido e fui candidata a uma Junta de Freguesia.

Mais tarde matriculei-me numa Universidade Sénior e, com mais de 70 anos, iniciei-me nas novas tecnologias. Convivi, fiz novos Amigos, obrigava-me a sair de casa. Ainda me mantenho na hidroginástica. Faz bem ao corpo e à mente.  Concluo partilhando com os leitores a convicção de que para envelhecer de uma forma mais agradável não podemos parar nem ter uma vida facilitada. Antes, pelo contrário, vamo-nos treinando para vencermos as dificuldades que a vida nos vai apresentando e enfrentarmos todos os desafios.


Autor
Maria Fernanda Alegre

Nasceu em 6 de julho de 1933, no concelho de Condeixa-a-Nova. Fez o curso no magistério primário. É viúva, tem 3 filhos e 2 netos. Depois de se reformar, tem-se dedicado ao voluntariado.

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Um país onde as crianças não choram

Em São Tomé e Príncipe as crianças não choram. Não podem chorar. As mães precisam de realizar todas as tarefas diárias e não há tempo para embalar ou esperar que uma simples cólica infantil, ou até mesmo uma birra, passem. Desde o nascimento, as crianças são transportadas às costas pelas mães, mulheres lutadoras que executam todas as tarefas na companhia dos filhos. Seja na rua a vender peixe, a vender carregamentos de telemóvel, no rio a lavar a roupa, em casa a confecionar os alimentos ou até na escola, a guerreira mulher santomense faz-se acompanhar do filho bebé atado a si por um pano resistente e colorido que, miraculosamente, o mantém em segurança. E a criança não chora. Dorme no aconchego do calor corporal materno, mantém-se em paz no embalo dos passos da mãe.

Num país onde as condições de vida ficam aquém do que a Declaração Universal dos Direitos Humanos preconiza, as crianças não choram. E a infância em São Tomé e Príncipe não é a infância que hoje valorizamos e respeitamos. Não há jogos nem brinquedos. Em seu lugar, os saltos na praia, a corrida a equilibrar um pneu com um pau ou a brincadeira com um carrinho feito com madeira, latas ou garrafas de plástico ocupam o tempo das crianças. Mas elas não choram. Aceitam. Vão vivendo. E esperando. Talvez esperem que, um dia, os seus direitos venham a ser os mesmos dos meninos da Europa ou da América. Talvez esperem que o seu futuro possa vir a ser risonho apesar de o seu país não ter emprego para todos. Talvez esperem só por esperar. E vão vivendo. Felizes.


Autor
Helena Jesus
Voluntário da ATLAS

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BA – LAN – ÇO – Examinar o pró e o contra de. Equilibrar*

Final do ano é naturalmente momento de balanço, olhar para o que correu bem, compreender o que correu menos bem, alicerçar o que virá.

Ao refletir sobre o Projeto “Velhos Amigos” em Alcobaça, numa perspetiva muito pessoal, compreendo que como coordenadora nem sempre tive a disponibilidade necessária para chegar mais longe, nem sempre soube de imediato o que fazer em cada situação, nem sempre fiz o que tinha planeado. Foi um ano bastante desafiante, talvez por ser nova nestas andanças, talvez por sentir ainda alguma insegurança ou simplesmente porque os laços estabelecidos entre pessoas são exigentes e sensíveis numa mesma medida.

Eu não cheguei a todo o lado, nem queria chegar, porque só em equipa se chega mais longe. Nenhuma situação ficou por resolver, estivemos presentes em cada fim de semana, agilizamos as consultas necessárias, levamos aos beneficiários o que tinham em falta e isso, só foi possível, porque temos os melhores voluntários que poderíamos desejar.

E porque são os voluntários que tornam possível este trabalho, também o balanço foi partilhado por todos, aqui ficam alguns testemunhos:

“Para mim esta experiência tem sido muito enriquecedora, pois acho que eu ganho mais do que de alguma forma dou. Sempre achei que ouvir os mais velhos a partilharem as suas experiências de vida é educativo pois leva-nos a refletir sobre a nossa própria vida e muitas vezes a minimizar o que achamos ser deveras importante ou trágico na nossa própria vida.

Estamos sempre a aprender e isso no fundo é que conta, pois no dia em que acharmos que já não temos mais nada para vivenciar e aprender será o último dia da nossa existência.

Obrigada Atlas por existires e nos ensinar o que realmente importa!”

Fernanda

“O projeto Velhos Amigos fez-me perceber que podemos fazer diferença na vida de outras pessoas com gestos tão simples como partilhar um pouco do nosso tempo na sua companhia.

Quando nos apercebemos que no dia da nossa visita nos esperam ansiosos, sinto que não é em vão que o fazemos. É uma oportunidade de mudar a vida de outras pessoas incluindo a nossa.”

Rosa

“Fazer parte do Projecto ” Velhos Amigos” tem sido uma experiência muito enriquecedora a nível pessoal. As idosas D. Lídia e D. Cecília, são umas queridas cada uma ao seu jeito, muito meigas e carentes de atenção e mimo. Estou a gostar muito deste Projecto, deviam existir mais pessoas a fazer o Bem sem olhar a quem!!”

Susana

“A sociedade em geral fecha os olhos a situações de infelicidade que muitas vezes estão na porta ao lado. A Atlas, com os seus projectos, contribui para reduzir essa indiferença, e é com muita alegria que faço parte dessa contribuição. A minha experiência no projecto “Velhos Amigos” é muito recente, mas já sinto que as pessoas que apoiamos estão mais felizes. Obviamente que não conseguimos fazer tudo o que gostaríamos, as dificuldades e os problemas porque algumas pessoas já passaram ou vivem actualmente, são demasiado complexos para que sejamos nós a conseguir resolvê-los todos.

Mas de uma coisa eu tenho a certeza, falo por mim mas sei que o sentimento é comum; a ajuda que dou ao ouvir ou acarinhar alguém que vive sozinho, é muito mais, muito mais mesmo, do que o pequeno esforço que eu despendo.  E isso, também faz a diferença na minha vida.

Obrigado por isso”

Lino

“Quando assumi o compromisso de ser voluntária da Atlas não tinha uma ideia concreta do que significaria, talvez fosse falhar porque não tinha tempo, talvez não conseguisse lidar com as situações no terreno, talvez não tivesse a capacidade emocional de gerir os acontecimentos…

Tudo o que acontece a cada visita aos beneficiários, que são a razão maior deste projeto, supera em muito o que alguma vez possa ter pensado atingir. A nossa presença leva, sem qualquer dúvida, alegria e a alegria é uma grande responsabilidade.

Cada visita ultrapassa-nos, é sempre uma demonstração poderosa de como a solidariedade posta em prática pode construir um mundo melhor para todos. Não estamos neste projeto para nos servir a nós, mas para servir os outros, para lhes melhorar a vida, a disposição, o estado de espírito.

Estamos a exercer cidadania, solidariedade, estamos a aprender, estamos a crescer, estamos a ajudar, mas estamos acima de tudo a viver uma experiência sem igual e a cada visita voltamos de coração cheio, porque vamos dar, mas trazemos muito mais de volta.

O tempo que dedico a esta causa parece sempre pouco, e achava eu que “não tinha tempo”.

Obrigada à Atlas e à Sílvia por fazer parte deste projeto.

Obrigada ao Sr. Rafael e à D. Prazeres por nos permitirem esta experiência transformadora!”

Tânia

“A Sílvia há muito me falava, com entusiasmo, da sua experiência no projecto Velhos Amigos, mas eu embora, seja da minha essência o ajudar o próximo, nunca me revi num projecto ligado à terceira idade!

Mas quando ela me desafiou não consegui dizer que não.  E sinceramente estou agradavelmente surpreendida, o tanto que eles nos enchem o coração, é tão gratificante ver como um pequeno gesto nosso pode ser tão importante para a vida deles.

Uma grande aprendizagem, dar sem julgar.

Muito obrigada!”

Helen

“No dia-a-dia por vezes sem termos tempo para pensar, damos tudo como adquirido, a nossa saúde, o nosso emprego, comida na mesa, vida social, hobbies, amigos, etc.. Ao sermos voluntários ATLAS conseguimos perceber e aprender, ao ouvirmos relatos de beneficiários, que somos uns sortudos por termos tudo isso e que o nosso conceito de felicidade é muito diferente do deles. Mas ao dedicarmos apenas duas horas ao sábado e vermos a diferença que isso faz à vida dos idosos, conseguimos verdadeiramente perceber o que é SER(MOS) FELIZ(ES)!!

Samuel                                                                                                                    

Começar por dizer que desinstalarmo-nos do nosso dia a dia pode ser difícil mas certamente que faz a diferença no nosso pequeno mundo… torna-nos melhores… e então faz despontar em nós algo que nunca pensamos… que é a humanidade!

A humanidade é isto… é sentir que podemos ser “algo” ser “motor” ser “vida “para alguém!! E é tão bom dar vida .. ainda por cima nas pequenas coisas.

Neste projeto vivenciamos que somos mais que pessoas que distribuem refeições… somos casa e somos acolhimento na vida de alguém… somos aqueles que escutam e saímos do nosso “fim de semana” com aquela sensação de tranquilidade e missão cumprida!!

É bom ver que vamos crescendo enquanto projeto e que conseguimos mudar sinceramente o mundo daqueles a quem ajudamos… e acima de tudo sentimos que somos super acompanhados pelas Atlas.

Um bom natal e bom ano a todos os que saem de si para dar aos outros!”

Rafaela e Pedro

Estas são algumas das contribuições para o balanço do Projeto “Velhos Amigos”, feitas na primeira pessoa por quem dá de si a cada fim de semana, com coragem, com afeto, com a energia necessária para se superar a si e acrescentar vida à vida dos nossos beneficiários. Obrigada aos voluntários incríveis que se juntam à Atlas e que, em equipa, constroem redes de suporte e fazem acreditar de novo quem já só pensava em desistir.

Para o novo ano só desejo que consigamos continuar a levar sorrisos a cada casa, ultrapassando as dificuldades que surjam e que as redes construídas se tornem cada vez mais fortes, para que a essência da Atlas continue a mudar as vidas de todos os intervenientes. 2022 já pode chegar 🙂

* ”balanço”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2021, https://dicionario.priberam.org/balan%C3%A7o [consultado em 27-12-2021].


Autor
Sílvia Marquês

Voluntária ATLAS. Coordenadora do Projeto Velhos Amigos em Alcobaça.

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O Natal da ATLAS

Nestes tempos estranhos que vivemos, a ATLAS está lentamente a voltar à sua normalidade… E foi como bastante alegria e entusiasmo que voltámos aos eventos presenciais de Natal.

Estes eventos levam a ATLAS para juntos das pessoas, fazendo com muitas delas conheçam pela primeira vez a nossa associação e o nosso trabalho e contribuam para que os nossos projetos continuem no terreno.

Na cidade de Leiria, estivemos presentes no Jardim Solidário, no Jardim Luís de Camões, de 28 de novembro a 19 de dezembro, aos fins de semana e feriados. A nossa barraquinha esteve recheada de boas energias, pessoas fantásticas e iguarias incríveis. As gomas, o vinho quente, os queques e as filhoses foram um sucesso!

Marinha Grande, de 17 a 23 de dezembro, decorreu o Mercadinho de Natal, no Parque da Cerca. Estes dias foram marcados pela generosidade, empenho, dedicação e convívio dos nossos voluntários e de todos os que nos visitaram nestes dias. O maior sucesso deste ano foram coscorões “da Vieira”, que se venderam muito bem e até houve encomendas!

Ano após ano, sábado após sábado, evento após evento, os nossos voluntários demonstram o seu compromisso e o seu amor para com a ATLAS! Um abraço de coração a todos vós!

Autora:

Joana Caetano

Voluntária da ATLAS

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Eventos em dezembro

Visite-nos e, como tão bem diz a Dora Rodrigues, tragam a vossa excelente disposição e alegria!

Em Leiria, nos fins de semana de 11 e 12, e 18 e 19 das 12H00 às 18H00, o Jardim Solidário, no Jardim Luís de Camões.

Pode ser uma imagem de ao ar livre

Na Marinha Grande, o Mercadinho de Natal, dia 17 das 18 às 21H30, dias 18 e 19 das 11 às 21H30, dias 20, 21, 22 e 23 das 14H30 às 21H30, no Parque da Cerca.

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Burnout

No dia 19 de novembro realizou-se na Delegação ATLAS da Marinha Grande mais um “Encontro ao Serão”, uma iniciativa que em cada sessão se tem revelado muito interessante e agradável. Neste encontro o tema foi o “Burnout”, apresentado pela voluntária Catarina Fortunato.

Falar deste evento é simultaneamente fácil e difícil. Começo pela parte fácil: A forma amigável e acolhedora como fomos recebidos pelos anfitriões, a Dora Birrento  e a equipa da Marinha Grande, o cuidado que puseram na preparação da sala, e a simpatia e profundo conhecimento do assunto que a oradora, Catarina Fortunato, tão claramente nos fez sentir.

Falar de assuntos sérios e complexos de uma forma acessível e interessante, que faz com que tudo pareça fácil, é uma arte que a Catarina tem em abundância, mas que falta ao autor destas linhas. E é aqui que entro na parte difícil deste texto: Escrever umas linhas que façam justiça à qualidade do que foi dito! Confesso que não consigo melhor solução de que respigar das próprias palavras da Catarina algumas das ideias apresentou.

Comecemos pelo título e subtítulo da apresentação, que constituem por si só, um tema para reflexão: “Sinto que preciso de parar: Será que estou a entrar em Burnout?” e “A importância do cuidado e da instalação de microhábitos” que, como nos referiu, tratam-se de passos positivos em direção a uma vida que nos faça sentir mais realizados. Mas o que é o “burnout”? Segundo a Organização Mundial de Saúde, trata-se de um “fenómeno ocupacional”, uma “síndrome” (conjunto de sinais e sintomas que caracterizam uma doença) “causado por stress laboral crónico mal gerido”, que se manifesta por “exaustão emocional, despersonalização/desumanização, e baixa realização profissional”. É fácil perceber as consequências destes sinais e sintomas nas nossas vidas profissionais e privadas! E não se pense que estamos a falar de algo que só acontece aos outros ou que, se nos acontecer, significará que somos fracos num mundo de fortes e, por isso, o melhor será carregarmos sozinhos as nossas dificuldades! Não, definitivamente nenhuma dessas situações corresponde à realidade! “Portugal é o país europeu com maior risco de burnout” e “se algum dia sentirmos que estamos a precisar que cuidem de nós, não é um fracasso pedirmos ajuda!” Bem pelo contrário: “É sim um ato de coragem e de querer recomeçar”! Por isso “precisamos de parar para cuidar de nós próprios! Só assim poderemos garantir que daremos o melhor de nós a cuidar dos outros” e “se estamos realmente empenhados em cuidar das pessoas de quem mais gostamos e em termos mais sucesso na nossa vida profissional, a nossa prioridade deve ser sempre: Investirmos em nós próprios!”

O debate que se seguiu entre os 24 participantes no Serão foi um sinal de quanto o assunto interessou a todos. Um debate vivo e amigável entre pessoas conscientes das dificuldades que a vida nos pode trazer por razões absolutamente externas à nossa vontade, mas que acreditam que “quando nós mudamos, tudo à nossa volta muda!”

A Catarina terminou com um desafio a cada um dos participantes: “O que levo daqui hoje para implementar já amanhã?”. Pela minha parte, o que fiz no dia seguinte, guardo para mim, mas o que certamente farei para o ano, partilho convosco: Assistir à apresentação que a Catarina nos prometeu fazer num Serão em 2022!

Obrigado, Catarina!


Autor
Rui Bingre
Voluntário da ATLAS

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Medronho, entre sonetos e o escarlate antioxidante de um fruto exuberante!

É de inverno e tem cores notáveis que vão desde o verde esperança (essa ESPERANÇA que tanto precisamos para sacudir esta pandemia); passando pela cor laranja que enaltece prosperidade, força, coragem e ousadia. Já mais para o final, antes de podermos degustar o seu esplendor aromático, o Medronho, fruto do Medronheiro (Arbutus unedo L.), esta pequena e maravilhosa baga, ostenta o seu vermelho rubro de paixão, um escarlate inconfundível repleto de poder, de energia e sedução. Eugénio de Castro (Coimbra, 1869 —1944) dedicou-lhe a Mantilha de Medronhos, que retrata uma das suas viagens a Espanha numa das suas obras de sonetos, tendo logo no poema de abertura arrematado com “Olé, olé, salero (pequeno-almoço)! … de medronhos compus a mantilha/para alindar com ela a minha Musa: Portuguesa, parece uma andaluza/envolta em xaile de Manilha”. Segundo Carvalho J.A. (2007), este poeta Conimbricense do Séc. XIX, terá usado esta paleta de cores do Medronho para relacionar a sua paixão pela pátria mãe, nomeadamente as cores vermelho rubro do fruto e o verde das folhas. Terá ainda, no mesmo andamento de sonetos, usado este delicioso fruto mediterrânico para sugerir a cor dos lábios de uma mulher, curiosamente não espanhola mas inglesa, que terá encontrado em La Alhambra “tez albirrosada, /louras tranças…, não trazia mantilha…”.

Talvez o Professor, Doutor em Letras, Eugénio de Castro não soubesse à época em que lecionava na Universidade de Coimbra, que deste fruto brotam prolixos, atributos químicos apenas comparáveis aos mais notáveis frutos vermelhos e bagas que encontramos em poucas geografias do mundo. É todo um manancial de ácidos orgânicos, uma luxúria de compostos bioativos com atividade antioxidante, de fibra e de açúcares gulosamente simples e complexos. São os aclamados e aplaudidos ómega3, as prestigiadas vitaminas C e D, entre muitos outros que o léxico encomendado não chega para os retratar.

Descubra-o, porém, no seu arbusto, nos ecossistemas que circundam a urbe, nos morros e nas cordilheiras, nas passeatas higiénicas ou nas corridas frenéticas. Descubra-o nas tardes bucólicas de outono enamoradas de vermelho rubro que cai sobre o horizonte, descubra-o num voluptuoso Medronho de intenso vermelho…, ou nos lábios escarlates de uma musa…, descubra o Medronho!


Autor
Rui Lopes
Voluntário da ATLAS. Nutricionista apaixonado por Medronhos

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